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JOGO SUJO: Janones admite ter divulgado fake news para desestabilizar Bolsonaro

André Janones, deputado federal pelo Avante de Minas Gerais, lançará em 20 de novembro um livro sobre os bastidores da campanha eleitoral de 2022, quando apoiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na obra, intitulada “Janonismo Cultural: O uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil”, o congressista relata situações em que teria divulgado propositalmente informações falsas para “mexer” com o emocional do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição.


Em um trecho do livro, Janones sugere que, diferentemente do que afirmou antes de um debate perto do segundo turno, nunca esteve com o celular do ex-ministro Gustavo Bebianno, morto em 2020. Em outubro de 2022, o deputado publicou várias fotos que afirmava terem sido tiradas desse aparelho.


“Horas antes do debate começar, publiquei uma foto minha segurando alguns papéis. A legenda dizia: ‘Tá tudo na mão do pai, agora é com ele. Seja o que Deus quiser!’ O que Jair Bolsonaro temia? Que eu tivesse entregado documentos sobre Gustavo Bebianno para Lula às vésperas do último debate. Até eu me impressionava com minha capacidade de mexer com eles”, escreve o deputado no livro.


Gustavo Bebianno foi ministro da Secretaria Geral da Presidência no início da gestão Bolsonaro. Ele foi o pivô da primeira escalada de tensão no governo do ex-presidente, iniciada pela suspeita de que o PSL havia usado candidatura “laranja” nas eleições de 2018 para desviar verbas públicas. Depois do caso, ele foi demitido.


Outra informação que Janones admite ter espalhado foi a de que o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) seria o ministro da Previdência caso Bolsonaro ganhasse as eleições. Em outubro de 2022, o deputado publicou um vídeo, recortado em que Bolsonaro dizia que Collor confiscaria o benefício dos aposentados.


“O ministro de Lula vai ser José Dirceu? Tá bom. Então o ministro da Previdência de Jair Bolsonaro vai ser Fernando Collor de Mello. Simples assim. Ele realmente seria ministro de Jair Bolsonaro? Eu sei lá. Mas uma vez que ele apoiou Jair Bolsonaro, poderia muito bem ser. Ele iria confiscar benefícios como a aposentadoria? Não sei, mas ele confiscou as poupanças quando foi presidente”, escreve Janones no livro.


Janones também escreve sobre como explorou a fala de Bolsonaro, de outubro de 2022, sobre ter “pintado um clima” entre ele e adolescentes venezuelanas na periferia de Brasília. O deputado sugere ter inventado que recolheu provas contra o ex-presidente ao visitar São Sebastião, região do Distrito Federal citada por Bolsonaro.


“Segui provocando, alimentando a angústia deles, até que no dia 28, às 10h, finalmente publiquei no Twitter a foto em frente ao letreiro de São Sebastião: ‘Missão cumprida: depoimentos, gravações, testemunhas e provas incontestes e irrefutáveis! Agora bora levar tudo para São Paulo porque a noite promete!’ Fiz eles de otários”, escreveu Janones.


(Gazeta Brasil)

 
 
 

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